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Castelo de Mogadouro
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Mogadouro

A doação aos Templários terá tido como objectivo a consolidação da, então recentemente estabelecida, fronteira com o reino de Leão. A Ordem deverá ter sido responsável, durante a segunda metade do séc. XII, por importantes reformas na composição e arquitectura da fortaleza, à semelhança do sucedido noutros castelos que recebeu e reformou, aplicando as mais avançadas soluções e conhecimentos da arte de fortificar da sua época. A principal alteração terá sido a construção da torre de menagem de planta quadrangular que, isolada no centro do recinto fortificado, constitui o último reduto de isolamento e protecção.

Em 1196, Sancho I (1154-1211) concede aos templários a vila de Idanha-a-Nova por troca com os castelo de Mogadouro e Penas Róias e dois anos depois as igrejas de Mogadouro e Penas Róias pela Herdade da Açafa em Vila Velha de Ródão.

No entanto, no início do séc. XIII, as vilas de Mogadouro e Penas Róias, com os seus castelos e igrejas, voltam ser cedidas aos templários por Sancho I. Segundo os testemunhos incluídos nas Inquirições de 1258, infere-se que estas vilas teriam sido entregue aos templários “in encomenda et in prestimonio”, a título precário portanto, devendo ser devolvidas ao rei quando este o solicitasse.
Em 1273, Afonso III (1210-1279), no contexto de uma nova reorganização administrativa do território transmontano e de afirmação do poder real, após conflito dirimido em tribunal com a Ordem do Templo, vai retomar a posse do castelo de Mogadouro e reforçar a importância da povoação através da concessão do direito de fazerem mercado semanal (1272) e atribuindo foral à vila em 1273.

Elevada a sede de Julgado, Mogadouro vai...
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...progressivamente assumir um papel de liderança dos territórios envolventes. Em 1297, D.Dinis (1261-1325) atribui, novamente, o padroado da igreja de S. Mamede de Mogadouro à Ordem do Templo que, extinta  em 1312 por bula papal, foi substituída, em Portugal, pela Ordem de Cristo, criada em 1319 e que vai assumir a posse de todos os bens anteriormente detidos pela Ordem extinta.
 
Durante o século XIV, o castelo de Mogadouro encontra-se dependente do rei que nomeia o alcaide; o padroado da igreja de São Mamede integra a Comenda de Cristo que é titulada por um cavaleiro-freire da Ordem e a vila tinha autonomia própria, de acordo com o foral atribuído por Afonso III.
No final do século XIV, nos reinados de D. Fernando (1345-1383) e durante a crise de 1383-85, o castelo de Mogadouro vai ser protagonista em diversos momentos, em consequência das hostilidades entre portugueses e castelhanos. Assim, em 1369 e 1381, o castelo de Mogadouro terá sido assediado e, no segundo caso, mesmo conquistado, no contexto das chamadas guerras fernandinas que opuseram D. Fernando a Henrique de Trastâmara (1334-1379) pela sucessão do trono de Castela.
Durante a crise de 1383-85, Mogadouro permaneceu fiel a D. Beatriz (1372-1410), casada com o rei D. João de Castela, tendo vindo a perder privilégios com a vitória de D. João I, Mestre de Aviz (1357-1433) primeiro, em 1385, com a obrigação de auxiliar à reparação da cerca de Torre de Moncorvo, depois, em 1386, com a autonomização e elevação a vila da povoação de Azinhoso que se situava no seu termo. Finalmente, em 1397, o castelo de Mogadouro foi novamente tomado pelo exército castelhano, num dos episódios finais da guerra da Independência.

Durante o século XIV, o castelo deverá ter sofrido profundas alterações no sentido da adaptação ao sistema de “defesa activa”, característico da arquitectura militar gótica. Amplia-se o perímetro muralhado que é reforçado por um conjunto de torres adossadas à muralha, permitindo o flanqueamento do “tiro” de arco ou besta e a diminuição dos ângulos mortos. O aumento da área muralhada permite a construção de novos edifícios no seu interior destinados a armazenamento e a acolher a guarnição. Define-se um reduto superior fortificado, junto à torre de menagem, progressivamente transformado em residência do alcaide.

Consolidada a independência nacional e no contexto de alguma renovação que ocorre na nobreza portuguesa, verifica-se a ascensão da família Távora que, após a doação efectuada em 1401, por D. João I a Pero Lourenço de Távora “de todos os direitos foros, rendas e tributos que o dito Senhor ha no Mogadouro”, se torna a detentora do senhorio de Mogadouro, por via hereditária, durante mais de 3 séculos, até à dramática execução desta família em 1759.
Os Távoras tornam-se também alcaides do castelo de Mogadouro e vão deter nesta região do país, por via de doação régia ou aquisição, os senhorios de Miranda do Douro, Penas Róias, Mirandela e Alfândega da Fé.

A partir do século XV o castelo torna-se a morada do alcaide, neste caso os Távoras que, conforme sucede noutros castelos nesta época, vão adaptar a fortaleza a funções residenciais, através da construção de novos edifícios no seu interior.
No início do século XVI, conforme se pode verificar nos desenhos efectuados por Duarte D’Armas, coexistiam no interior da fortificação, a residência apalaçada do alcaide, na área a Leste da torre de menagem, e a área destinada a albergar as funções militares, na área situada a Oeste do terreiro. Em volta da muralha principal constrói-se uma nova muralha - “as barreyras”, mais baixa e robusta, adaptada à utilização de armas de fogo.

No século XVIII o palácio tinha absorvido o antigo castelo de tal maneira que numa das últimas descrições conhecidas antes das queda dos Távoras, em 1758, diz-se mesmo que na vila de Mogadouro não há “Torre algúa exepto hua que se acha no palacio dos Exmos Marqueses de Tavora vulgo castelo que se dis ser obra dos Templarios”.
Executada a família Távora e confiscados os seus bens, em 1759, o palácio / castelo passa a ser a residência dos Juizes de Fora até 1834. A partir desta data o conjunto edificado entra em ruína, com a queda de parte do telhado e o saque das pedras para a construção de outros edifícios na vila.

Abandonado e arruinado o castelo, apenas na década de 50 do século XX, por iniciativa da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, se vão iniciar trabalhos de conservação e restauro que se prolongam durante toda essa década e que vão permitir a preservação do monumento na forma que actualmente subsiste.

Em 2007, com apoio de fundos comunitários, o IPPAR efectuou uma intervenção de estudo, conservação e valorização, que pretendeu restaurar o que resta da fortificação medieval e redefinir as diversas áreas do castelo e os seus acessos de acordo com a sua estrutura original.
Tendo deixado há muito de exercer a sua primitiva função de liderança militar das terras de Mogadouro, o castelo mantém-se hoje, não só como memória histórica, mas, também, como mais valia para o desenvolvimento sustentado e ponto de observação privilegiado para o conhecimento da região.

Lat.: N41.338452
Long.: W6.720264

 
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