Página Inicial | Património | Castelos | Domus Municipalis
PATRIMÓNIO
Ver mais Castelos
Domus Municipalis
  1. Planta do edifício
  2. Contactos e Coordenadas GPS
  3. Mapa de Localização
  4. Defina o itinerário
  5. Outros monumentos

Braçança

A construção da primeira fortificação da cidadela deverá datar do séc. XII, no entanto, a necessidade de reforço e actualização das defesas militares conduziram ao longo dos séculos a modificações significativas do sistema defensivo. A actual muralha, que deverá datar já do reinado de Afonso III, encontra-se plasmada no desenho que Duarte D’Armas efectuou da fortaleza no início do século XVI, e que já apresenta o castelo gótico edificado na primeira metade do século XV.

No interior da cidadela fortificada ergue-se, desde o século XIV, um edifício de caracter singular e que constitui um exemplar notável da arquitectura civil medieval em Portugal.  Designado, desde o final do século XIX, como Domus Municipalis (em alusão ao facto de ter albergado a sede municipal ao longo de vários séculos),  o edifício teve desde o início uma dupla vocação de cisterna e de sede das reuniões municipais. E é esta dupla função que lhe confere a singularidade arquitectónica ainda hoje evidente.

Enquanto cisterna podemos encontrar paralelos em alguns castelos da Baixa Idade Média como Algoso, Lamego ou Marvão, mas o facto de sobre a cisterna abobadada ter sido construído um segundo piso coberto destinado a albergar o conselho municipal, confere-lhe o aspecto e as características de espécime único.
As suas diferentes designações reflectem as utilizações de que o edifício foi objecto, referido na documentação de Quatrocentos como Cisterna ou Casa da Água, a partir do século XVI aparece sistematicamente referido como Casa da...
[Continua...]

[Continuação...]

...Câmara, Paço Municipal ou Domus Municipalis.

A data da sua construção tem sido objecto de alguma polémica. A atribuição da data de construção tem variado desde o século XII até ao século XIV. Depois de autores como o Abade de Baçal  ou Rodrigues Monteiro, terem apontado para uma datação entre o final do século XII e o início do XIII, estudos mais recentes, nomeadamente de Carlos Ferreira de Almeida, Mário Barroca e Pedro Dias, com base na análise dos aspectos artísticos e da documentação coeva parecem ter estabilizado a data de construção na segunda metade do século XIV. Trata-se, portanto, de um edifício em que se verifica uma aplicação tardia do estilo românico conjugada com a utilização de alguns elementos característicos já do estilo gótico (decoração dos modilhões, técnica construtiva e o aparelho siglado).

O edifício, de planta pentagonal irregular, tem 2 lados de menor extensão virados a Ocidente. É constituído por uma cisterna de grandes dimensões, parcialmente escavada na rocha, ocupando a totalidade do subsolo do edifício e coberta por uma abóbada de berço com dois arcos torais que sustentam um piso superior amplo, coberto por telhado de madeira em 5 águas, sobrelevado em relação à cota do solo exterior e que serviria para as reuniões do Conselho Municipal. O acesso à cisterna efectua-se por 3 aberturas situadas no pavimento do piso superior e o seu abastecimento seria assegurado tanto por nascente, como pelas águas das chuvas que recolhidas nos telhados eram conduzidas para a cisterna através de canais escavados nas cornijas e de condutas instaladas no interior das paredes. De referir a existência, a meia altura de 4 das fachadas, de um algeroz que - conforme refere João Jacob - poderá ter servido para encaminhar a água da chuva, recolhida nos telhados de edifícios vizinhos, para o interior da cisterna.
Os alçados são preenchidos por uma série contínua de vãos em arco pleno que conferem ao edifício uma regularidade decorativa ao longo das 5 fachadas. As cornijas assentam numa série de modilhões decorados com motivos geométricos, zoomórficos e antropomórficos. No interior do corpo superior destaca-se, ao longo das paredes, uma bancada contínua em granito que poderá ter servido para acolher os participantes nas assembleias do concelho.

A utilização do piso superior como local de reuniões das assembleias do concelho é referenciada desde muito cedo. Esta utilização conduziu a adaptações do edifício destinadas a dar resposta à complexificação das actividades camarárias. Assim, a partir do séc. XVII, o interior foi dividido em dois compartimentos, um destinado às Audiências Gerais e outro ao Senado. Nas fachadas foi aberta uma porta para um balcão com escada lateral e 3 janelas de sacada que davam acesso a pequenas varandas gradeadas (ver fotografia). A maior parte das janelas de arco foram fechadas, conferindo às fachadas um aspecto substancialmente diferente da regularidade que lhe foi conferido pelo restauro efectuado nos anos 30 do século XX.

Efectivamente, a partir de finais do séc. XIX  o edifício deixou de acolher as funções municipais e iniciou um período de degradação que terminou com o profundo restauro empreendido pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais com base em projecto do Arquitecto Baltazar de Castro. O edifício restaurado, inaugurado em 23 de Outubro de 1932, ilustra as concepções da época em que se pretendia restituir aos edifícios uma mítica pureza primitiva expurgando-os de todos os elementos não considerados característicos do estilo românico e de todas as alterações introduzidas no edifício em épocas posteriores. Simultaneamente, no sentido de assegurar a monumentalização da Domus, a área envolvente foi libertada de todas as construções vernaculares aí existentes; monumentalidade reforçada pela sobrelevação do espaço directamente envolvente da cisterna numa espécie de podium.

Hoje, tantos séculos passados, a antiga cisterna e casa da Câmara permanece, pela sua excepcionalidade arquitectónica, antiguidade e exemplaridade, como um monumento de referência do património medieval nacional,  mesmo, se o monumento que podemos visitar deve, provavelmente, tanto ao projecto de restauro novecentista – a regularidade decorativa e o enquadramento urbano - como ao projecto primitivo de que restam, essencialmente, os aspectos estruturais.

Lat.: N41.803520
Long.: W6.749082

 
Para calcular o trajecto a partir da sua localização actual, insira um Ponto de Partida (Uma cidade ou nome de uma rua) no seguinte formulário, e escolha a opção 'Mostrar Trajecto'.
Será apresentada uma proposta de trajecto tendo como Ponto de Partida a localização que inseriu até Domus Municipalis  (Lat.: N41.803520 | Long.: W6.749082).
Nota: Os tempos de deslocação apresentados servem apenas de referência, e partindo do pressuposto que utiliza um veículo automóvel, e que são cumpridas as velocidades máximas impostas por lei.
Castelos - Outros monumentos disponíveis
Mogadouro
Castelo de Mogadouro
A doação aos Templários terá tido como objectivo a consolidação da, então recentemente estabelecida, fronteira com o reino de Leão. A Ordem deverá ter sido... [+]
Numão, Vila Nova de Foz Côa
Castelo de Numão
Ansiães, Carrazeda de Ansiães
Castelo de Ansiães
Vila amuralhada e castelo de Ansiães Com uma implantação geográfica que lhe confere excelentes condições naturais de defesa, o Castelo de Ansiães revela-se com uma... [+]
Algoso, Vimioso
Castelo de Algoso
O Castelo de Algoso domina uma vasta extensão do Planalto Mirandês, destacando-se, de forma inconfundível, pela silhueta da sua singular torre de menagem. Desde meados do século XII,... [+]
Novidades
Site com novas funcionalidades
O site do projecto 'Património no Território' sofreu profundas modificações e tem novas funcionalidades. Ven...
Actividades
Rota dos castelos por terras mirandesas
Neste roteiro é sugerido um passeio que liga 4 castelos do planalto mirandês no qual o visitante pode a...
Links
Apresentação
Sobre o Projecto
O Património Arquitectónico e Arqueológico constitui um dos principais recursos e atractivos do Leste Transmontano. A Direcção Regional de Cultura do Norte tem sob sua gestão directa, nesta região, um conjunto de monumentos abertos a pú...
© 2017. Governo de Portugal - Secretário de Estado da Cultura